Quando eu entrava pela porta, ela já estava de boca aberta. Tinha o habito feio de perguntar se eu gostava antes de fazer, mas fazia antes de pensar no depois. Ela só vive, só existe, só faz. E gostava de ficar suja de mim, sem pressa de limpar, sem educação, sem fingir que nada aconteceu. Cheia de vicio, cara de quem goza como cospe no chão. Tinha a intensidade que pesa a beira da loucura, mas eu saia marcado a unha como quem tinha sido usado do jeito certo.
Hoje eu dormi com uma moça, mas senti falta da puta, da obscena, da que me
tratava mal por bem pelo prazer dela e pelo meu.
Tem noite que a cama fica grande demais, sinto falta do teu cheiro que não é de
perfume.
Eu não quero beijo com cuidado, não quero reza, pudor, educação. Quero a
vergonha do lado de fora, o tapa na cara que vem como um estalo, a mordida que
sangra, a bagunça inevitável. Quero a puta. A descarada. A sem script. Quero aquela
que quando eu entrava, já estava com a boca aberta.
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